“O alienista” de Machado de Assis

‘O Alienista’ é um conto escrito pelo mais célebre autor brasileiro, Machado de Assis, lançado em Papéis Avulsos em 1882. Uma obra com uma narrativa que transcende o tempo, traz sob o viés dos temas loucura e poder a história de um médico chamado Dr. Simão Bacamarte, o qual se especializa em cuidar e a estudar o comportamento humano. Este resolve montar uma câmara – a Casa Verde – para abrigar aqueles que sofrem de qualquer tipo de anormalidade na cidade de Itaguaí, onde se passa o enredo.

O que salta aos olhos do leitor, além do mais, são as partes-micro no que se refere à estrutura, as quais auferem forma de novela, composta por capítulos. Nesse prisma, parte-se da premissa de que o texto é um todo híbrido quanto à tipologia textual, pois o conto abrange características da narração, descrição e da argumentação, levando assim em conta as unidades de ação com diferentes tramas. Ademais, a descrição do espaço e do tempo possui caráter tanto qualitativo quanto quantitativo, isto é, sob a óptica de um narrador onisciente, contemporâneo, dificilmente de ser classificado em obras como de Machado, por meio do qual se pode desvendar características subjetivas e objetivas no que tange a configuração desses elementos. É, também, uma narrativa com poucas personagens, em que se busca traçar perfis psicológicos, caracterizando-a como uma ficção que tem o compromisso com o que é verossímil. Desse modo, pode-se dizer que o texto favorece, mediante a uma provocação irônica da linguagem, a análise crítica aos temas sociais e aos valores humanos vigentes até então no século XIX, aos dias atuais, certamente. Afinal, quem é normal?

“O principal nesta minha obra da Casa Verde é estudar profundamente a loucura, os seus diversos graus, classificar-lhe os casos, descobrir enfim a causa do fenômeno e o remédio universal” (ASSIS, 2005, p. 22).

“[…] o que era até agora uma ilha perdida no oceano da razão, começo a suspeitar que é um continente” (ASSIS, 2005, p. 27).

“O pobre Mateus, apenas notou que era objeto da curiosidade ou admiração do primeiro vulto de Itaguaí, redobrou de expressão, deu outro relevo às atitudes… Triste! Triste! Não fez mais do que condenar-se; no dia seguinte, foi recolhido à Casa Verde” (ASSIS, 2005, p. 31).

ASSIS, Machado de. (1979) O Alienista. In: Obra Completa. Vol. II, Conto e Teatro. Organizada por Afrânio Coutinho, 4ª edição, ilustrada. Rio de Janeiro, Editora Nova Aguilar, p. 253-288.

Autor: Érika da Silva Rodrigues